Bolivianos em SP enfrentam longas filas para votar para presidente; vencedor ‘terá o desafio de unir o país’, diz eleitor

Mais de 40 mil imigrantes estão aptos a votar no Estado de São Paulo. Bolívia realiza sua primeira eleição presidencial sem Evo Morales em mais de 20 anos.

A comunidade boliviana em São Paulo enfrentou longas filas neste domingo (18) para votar no primeiro turno das eleições para a presidência da Bolívia. Os eleitores vão escolher quem vai substituir Jeanine Añez, a presidente interina que assumiu em novembro de 2019, após a anulação da votação daquele ano e os distúrbios que levaram Evo Morales a renunciar (leia mais no final da reportagem).

No principal colégio eleitoral da capital paulista, o Instituto de Ciência e Tecnologia São Paulo, na Luz, região central, não havia o distanciamento recomendado para evitar a transmissão de Covid-19. O instituto fica ao lado da Praça Kantuta, onde neste domingo voltou a funcionar a tradicional Feira boliviana Kantuta.

Os bolivianos são a maioria dos estrangeiros que vivem na cidade de São Paulo. No estado, 40.342 eleitores estão aptos para ir às urnas hoje, informou o Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia. Diferentemente das eleições brasileiras, o voto é feito em cédulas de papel na capital paulista.

A boliviana Harlem Arispe, de 34 anos, está há 5 anos no Brasil e vota pela segunda vez. “O futuro de Evo Morales [depois desta eleição] é incerto. Eu não acho que o partido dele será eleito”.

Essas são as primeiras eleições na Bolívia sem a participação de Evo Morales desde 1997.

Harlem Arispe, de 34 anos, não acredita que o partido de Evo Morales será eleito — Foto: Gessyca Rocha/G1

Há 15 anos no Brasil, Ronald Mancilla, de 33 anos, também enfrentou as filas para votar.
“Politicamente o momento da Bolívia é complicado. Tem a questão dos partidos de esquerda, de direita, tem muito regionalismo, o país está meio dividido sim e esse mesmo sentimento está aqui com a coletividade boliviana. O que todo mundo quer é que, independentemente de quem for o presidente, ele terá o desafio de unir o país, não governar com sentimentos e imposições”.

Três candidatos estão a frente nas pesquisas, Luis Arce, o candidato do partido de Evo Morales, Carlos Mesa, considerado um centrista, e Luis Fernando Camacho, líder de extrema-direita.

Apesar da fila, o boliviano Ramiro disse que o processo de votação foi rápido dentro do instituto. “Também votei no ano passado e este ano as pessoas estão com mais vontade. Acho que as pessoas querem mudanças, as coisas que a presidente de agora está fazendo são muito ruins”, disse.

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